<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890</id><updated>2011-10-28T15:20:24.098-02:00</updated><category term='rio'/><category term='ficção'/><category term='rio de janeiro'/><category term='novela literária'/><category term='novela'/><category term='rj'/><category term='conrad rose'/><category term='literatura'/><category term='mindinho'/><category term='conradrose'/><category term='brasil'/><title type='text'>Histórias de Mindinho</title><subtitle type='html'>&lt;b&gt;A publicação dos capítulos foi interrompida pois a obra encontra-se em processo editorial. Maiores esclarecimentos: contato@conradrose.com.br&lt;/b&gt;</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://novelamindinho.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890.post-7653711295986622555</id><published>2009-05-21T17:37:00.003-03:00</published><updated>2009-05-21T17:44:14.853-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rj'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mindinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio de janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conradrose'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conrad rose'/><title type='text'>BIN LADEN (XIII)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Schnauzer. Cinza com branco. Três meses, nenhum modo e muita energia. Predominava-lhe um poderoso cavanhaque capaz de conquistar o mundo e que ajudou a batizá-lo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Enquanto navegavam regressando à embarcação, só o casal pois instalaram Demi na península do Mickey, o bandido não parava de fitar o cão na gaiola, introspectivo. Até que veio:&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Bin Laden! - definiu. - Aí quando chamar pra comer, grita Bin e Dim e tá tudo certo. - riu-se. - Afinal, essa porra promete fazer um barulho danado. Vamos ver quanto tempo dura. O quadrúpede ou a minha paciência. Boa essa, hein? Quadrúpede.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Este cachorro é a cara do Machado de Assis, isso sim.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Esse aí eu sei quem é.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Foi, Mindinho. - corrigiu Carolina.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Tá. Foi um escritor com muita sorte.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Sorte?&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Sim, pô. O Largo do Machado. - e riu sozinho novamente.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Mindinho vivia animado e disposto a sorrir. Sóbrio, embriagado ou sob efeito de drogras ele parecia sempre anestesiado e, após o casamento, costumava uma felicidade sobrenatural.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Continuou:&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Fiz muito comércio por ali.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Tá bom, mestre de obras. - retrucou-lhe a esposa.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Se eu desse pra isso você moraria no Pavãozinho agora. Não fiz o certo?&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Se você fosse trabalhador jamais me contrataria e, por conseqüência, eu não estaria no Pavãozinho.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Então, não falei? Fiz o certo. Tô aqui montado na nota e encontrei você, que agora é o meu Pavãozinho. Chacoalha o rabinho pro papai, chacoalha.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
O bandido era uma fábrica de riso, ou melhor, uma caixinha de música às gargalhadas.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
A professora remoeu aquelas malditas palavras e embora encantada com os toques carnais e a mudança que oportunizara ao cônjuge, repaginou os fatos e definiu que precisava manter-se inóspita ali. Apesar de tudo, ainda via a ira como elemento de Mindinho. E, mesmo que ela quisesse e se empenhasse, isso ela acreditava que nem exorcismo arrancaria.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Quando retornaram ao navio, a madrasta foi na frente ocupar Dim com lições e coube a Mindinho esconder o cão em seu quarto até a data festiva. Mal sabia o destemido que ali Bin Laden definia seu dono e a ele pediria tudo que necessitasse.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Quatro serviçais cubanos carregaram um tanto de providências e duas caixas embrulhadas pra presente que viraram mobília na sala. Na maior, a ergométrica. Na menor, só Carolina poderia dizer, mas não o fez.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
E não faltou o recado paterno:&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Mete a mão aí e te rapo um dedo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
A ergométrica ajudava a camuflar o animal e como Dona Nair sabia do plano, o aflito menino esperou até que em paz. Mais: estava praticamente alfabetizado e revista em quadrinhos era sua nova obsessão. Nesta, Carolina foi fundamental provedora e mantenedora: gibis em inglês, espanhol e português.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Dim também iniciou-se na internet, com navegação controlada pela mesma, mas era a ler que desperdiçava manhãs, tardes e noites. Relia, contornava os desenhos, narrava pra avó e pedia mais revistas. Só não gostava do Jotalhão, que era como o pai o chamava vez ou outra.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Outra: percebeu que sem manha, Mindinho não o incomodava. Aprendeu a calar a boca e engolir em seco ao invés de reclamar chorando. Enfim, o moleque apresentava alguma evolução intelectual. Era pouco ainda, mas indicava acerto na condução das coisas.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Com pequenas ações, Carolina o ajudava a dissipar seus medos um a um.&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4142250843468316890-7653711295986622555?l=novelamindinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/7653711295986622555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/7653711295986622555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/2009/05/bin-laden-xiii.html' title='BIN LADEN (XIII)'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890.post-6777457181309613642</id><published>2009-05-13T18:29:00.003-03:00</published><updated>2009-05-13T19:48:18.622-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rj'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mindinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio de janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conradrose'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conrad rose'/><title type='text'>A SOMBRA (XII)</title><content type='html'>O aniversário do herdeiro se aproximava e Dona Nair foi ter com a nora acerca da ocasião. Esta encontrava-se no convés, besuntada de bloqueador solar, lendo uma dialética de Gaston Bachelard. Parou o mundo na solicitação da sogra:&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Júnior faz anos daqui a poucos dias. Queria muito sua ajuda pra preparar uma festa pro moleque. E, se a senhora permitir, deixar o coitadinho abusar um pouco da comida.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Carolina espremeu as pestanas, dissertou a si e disse:&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Na festa, tudo bem. Ele tem até se comportado. E quanto ao presente?&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Bom... - rememorou a matriarca. - No pavãozinho, ele sempre quis ter um cachorrinho. Acho que ele adoraria...&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Um cão. - pausa. - Tá certo. Um cão e uma bicicleta ergométrica. Duas coisas pra combater a preguiça; que por sinal, também diminuiu. Júnior está mais esperto e menos chorão. Sem demora, chegaremos lá, Dona Nair.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
A anciã sorriu com candura sobrenatural.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Dia seguinte, logo cedo, Mindinho, Carolina e Demi deixavam o transatlântico rumo ao continente, onde: sondariam as ações de Esteban; acomodariam a doravante cafetina maranhense; e providenciariam um dengo pro assustado jovem.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Pra  que o bicho? - questionou o bandido durante o traslado.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Um agrado. Não custa tentar estimulá-lo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- E pra que estímulo, se dá fome? Aí eu não entendo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Calma, eu explico. A idéia é ele deixar de ser preguiçoso. Agora que já emagreceu um pouco, a preguiça tende a diminuir. Precisamos motivá-lo a se movimentar. Assim, sentirá fome, o que é normal com o crescimento, mas compensará com atividades. Ocupando o menino, combatemos a ansiedade também. E essa sim, é a causadora da sua fome absurda e descontrolada. Entendeu, malandro?&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Malandro sou eu, professora? Assim eu arranco tua roupa aqui mesmo, mulher. - babou Mindinho, avançando.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Pera lá! - protegeu-se e continuou Carolina. - Tem a ergométrica.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Tá. Eu sei. Fome, preguiça, ansiedade, blá-blá-blá...&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Sério. Tenho de comprar a ergométrica.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Tá, compra. E um bolo diet. - finalizou Mindinho gargalhando.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Nem dez minutos depois, nova investida da esposa:&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Outra coisa que eu esqueci de comentar contigo. Demi vai vigiar Esteban pra nós.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Quem disse?&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Estou informando agora.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Mindinho mirou o mar e entregou-se na calmaria do céu azul sem vento:&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Hmmm... Fechado. Posso apostar que a xerife aí já adestrou a piranha.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Respeita a mulher, Mindinho. Ela tem valor e podemos confiar. Vou chamá-la.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Vou chamá-la... - remedou o cônjuge, inaudível.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
As duas vieram e ele se tansformou:&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Parada é a seguinte. A fulana aí tá no seu dia de sorte. Não vai mais precisar abrir as pernas pra comer e ainda vai posar de gerente. Agora, tem regra que não muda. Primeiro vacilo, vira palito de dente de tubarão. Tem de cuidar do gringo sem que ele se sinta vigiado. Só ouvido e pouco falatório. Quando precisar, vai virar a sombra dele e passar toda a letra, tim-tim por tim-tim. E o mais importante: ele não manda porra nenhuma. Pode ser? - fitou-a com a costumeira fúria a esperar.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Pode contar comigo, senhor.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Mesmo? - olho no olho.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Pode confiar, senhor. Dona Carolina sabe.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Se a patroa tá dizendo, quem sou eu pra duvidar, understand? Fala inglês?&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Pouco de inglês, pouco de espanhol. Saberei cuidar das meninas.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Fechado. - sentenciou o bandido.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Carolina assumiu:&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Então, chegando no continente Demi irá comigo às compras e você vai ter com Esteban.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
E dispensou a funcionária, que ao sair foi interrompida por Mindinho:&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Olha só, Demi Moore. Tem de deixar o gringo louco mas não pode dar pra ele. Deixa ele pensar que vai, mas recolhe e larga o idiota na mão. Deixa ele pensar que pode e, vez ou outra, constatar que é um merda. Não dá cartaz pro vagabundo, não!&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Ô senhor. Eu quero mais é endireitar minha vida. Com sua licença.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Vai com Deus, incerta. Aproveita e reza forte porque hoje é o melhor dia da tua vida. - e tornou a rir.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Carolina saiu com ela e deixou Mindinho novamente com o mar. Ele refletiu por minutos, tentando entender como tolerava os desmandos da companheira e que tipo de sentimento era aquele que o fazia concordar com coisas estúpidas. De qualquer forma, ele via com bons olhos a postura da amada no trato da casa e dos negócios.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
E nesta altura, atirá-la ao mar estava fora de cogitação.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4142250843468316890-6777457181309613642?l=novelamindinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/6777457181309613642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/6777457181309613642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/2009/05/sombra-xii.html' title='A SOMBRA (XII)'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890.post-8895506635620763034</id><published>2009-05-05T17:55:00.002-03:00</published><updated>2009-05-05T17:58:03.097-03:00</updated><title type='text'>A NOVA CAFETINA (XI)</title><content type='html'>Esteban achou o maior luxo morar em alto-mar, mas pouco ali permaneceu com a limpeza que Carolina impôs na embarcação e nos negócios. Num scotch acompanhado de torresmo e tremosso, Mindinho decretou que o latino-americano seria o manda-chuva na operação ´breaking´ Flórida.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
Isso constituía vigiar os gladiadores, entupi-los de energia, proporcionar-lhes prazer no êxito e enclausurá-los nos fracassos. Vitória trazia Sodoma e Gomorra com cinturão de ouro. Nocaute acrescia Admá, Zebolim e Zoar. Revés, Haiti!&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
Ainda havia de angariar prostitutas na berlinda financeira e com potencial de pista, pra distribuí-las no baixo leste norte-americano. Deste modo, teria vida de conde em terra de ninguém, com material humano e bagagem suficientes pra ramificar plantel, se fosse o caso. Porém, a arquitetura de Duda prevalecera, mantendo tudo – sabe-se lá como – dentro da lei.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
O posto dele no planejamento de Duda, como escudeiro de Mindinho, ficara por terra. E fora de súbito preenchido por Carolina.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
Demi de Araújo ou Rita de Cássia Silva - como fora batizada - era a mais calejada das tripulantes eróticas. Balzaquiana, morena de fundo claro, uma dúzia de pés de galinha ao redor dos olhos esverdeados, sisuda, honesta e transparente. &lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
A única da tripulação que pegava dicas de leitura com Carolina que ainda lhe ensinou a escrever baby, happy birthday e merry xmas pra uso nos postais. E esta proximidade foi retribuída.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
A esposa do mandatário chamou-a pr´um particular, num reservado do navio e sem delongas geriu:&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
- Precisamos de gente de confiança para tratar dos negócios na Flórida. Vou propor a Mindinho que você coordene as ações das meninas por lá. Sei bem que está em fim de carreira, entregando os pontos. E também percebi que você é mulher de fibra e sempre está buscando algo. Aliás, não entendi ainda como você foi parar nessa vida. – pausa e olhos cruzados. - Bom, isso não faz diferença. O que importa é que eu preciso saber se posso contar contigo.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
Demi demorou a reerguer os olhos após o flashback que Carolina a remetera. E já às lágrimas, embora escaldada à vera, libertou-se:&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
- Seria uma graça de Deus.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
- Que assim seja. Vou conversar com o malandro e volto a ter contigo.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
- Deus te abençoe. Muito agradecida, senhora Mindinho.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
- Nunca mais me chame assim. Sou Carolina, ou melhor, Dona Carolina. - entonando auto e total controle da situação.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
Demi retratou-se, enxugou os olhos, ajoelhou-se, beijou a mão de Carolina, sorriu com serenidade e retirou-se com uma sensação inédita. Feito juramento, decretou novena e sentiu-se luminosa, talvez pela possibilidade de só se despir a outrem por gosto.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4142250843468316890-8895506635620763034?l=novelamindinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/8895506635620763034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/8895506635620763034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/2009/05/nova-cafetina-xi.html' title='A NOVA CAFETINA (XI)'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890.post-6744493655347830174</id><published>2009-02-17T11:14:00.002-03:00</published><updated>2009-02-17T11:17:39.966-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rj'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mindinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio de janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conradrose'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conrad rose'/><title type='text'>A CANETA (X)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Carolina sugeriu, escolheu e orientou o hacker a arrematá-la num leilão cibernético.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Uma Mont Blanc. Rara e caríssima. No estojo aberto, ao lado dum pico chileno na bandeja de Dieguito. Foi este o presente de Mindinho ao confidente, procurador e até então sócio.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
A picanha cheirava longe, um disco pirata da Banda Black Rio estourava os miolos e todos bebiam muito e de tudo. Exceto os lutadores, pois estes eram nutridos adequadamente, além de proibidos de subterfúgios que os tirassem da razão. Até mesmo pra limpar o sangue nas averiguações clínicas pré e pós-confronto.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
As prostitutas prepararam uma festa particular pra Kim, pouco antes. Abstraíram com ela em brincadeiras pueris, pintando-a com batom e lambuzando-a de cremes e doces. Fizeram-na provar de sabores absurdos reprimida da visão e descobrir do que se tratava. Também pressionar uma noz entre as coxas, perto das nádegas e caminhar agachada até uma caneca. Ali deveria soltar o fruto e acertá-lo no utensílio. No erro, repetição aliada a castigo. A isso denominaram cubol.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Revelavam ali toda a amargura da infância perdida, ou melhor, da ausência plena dela, o que gerava experimentação e não recordação. A inversão do precoce e do atemporal.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Com a tripulação toda presente e indumentada pra ocasião, Duda conduziu sua amada, refeita das traquinagens e exuberante num minivestido bordô colado ao corpo curvilíneo, além de aplique, unhas gigantes e sorriso quilométrico. Uma embarcação de anseios carnais.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Dois brutamontes carregaram a bandeja e a apresentaram ao advogado. Aí Mindinho ordenou o fade-out e tomou a palavra, com um papel nas mãos, redigido pela licenciada:&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Eduardo, meu nobre amigo. Aceite esta modesta lembrança como forma de retribuição pela sua dedicação intensa, sua lealdade sem par e sua cumplicidade... - dirigiu-se a esposa e solicitou sua ajuda ao pé do ouvido. - como fala isso?&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Ela orientou em segredo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- E sua cumplicidade exacerbada. Todos nós somos... - aproximou o papel novamente de Carolina e esticou-lhe o ouvido. - somos obsequiosos pelo seu convívio e sua amizade. Vá com Deus e que tudo que almeja se realize.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Pausou e esperou pelos aplausos, que tardaram mas vieram. Após paciente espera, Mindinho ergueu um dos braços e foi abaixando. Noutro fade-out decretou:&lt;br&gt;&lt;br&gt;
- Agora, chega de falar gringo! Deejay, quebra tudo, porra!&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Funk carioca. Rebola, catuca, desce, sobe, cachorras, tigrões, bonde disso, bonde daquilo e mais um oceano de novos verbetes. Esfregões e pegação geral.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
A ausência de pudor espantou Dona Nair que carregou o neto consigo, frustado pelo insignificante prato que Carolina lhe preparara e assustado com o bruxismo do pai.
Já a madrasta, estava tão feliz que até fumou maconha e bebeu, embora nada disso ofuscasse sua compostura. Sabia do momento marcante e achou propício comemorar. Mindinho agora estava entregue. Ela o moldaria ao seu bel-prazer.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Isso se comprovou quando foram pra cama, quase ao amanhecer, após uma lancha conduzir Duda e Kim pro continente. O bandido deitou sobre o colo de Carolina e chorou copiosamente, numa lamúria inconsolável. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4142250843468316890-6744493655347830174?l=novelamindinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/6744493655347830174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/6744493655347830174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/2009/02/caneta-x.html' title='A CANETA (X)'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890.post-4899649702517545271</id><published>2009-02-10T14:12:00.002-02:00</published><updated>2009-02-10T14:17:34.265-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rj'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mindinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio de janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conradrose'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conrad rose'/><title type='text'>REORGANIZAÇÃO (IX)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ancoraram o navio próximo a Miami e dali sairiam sorrateiramente pra desvendar o lugar mais esquisito do mundo. Um parque de compras.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Duda chamou Mindinho num canto e pronunciou:&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Meu velho e querido amigo. Vou tomar outro rumo na vida. Teu casamento me entusiasmou e vou sossegar. Vou pro México fazer absolutamente mais nada e levarei Kim comigo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Como assim, Duda?&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Pois é. Faz tempo que penso nisso e acho que chegou a hora. Vou providenciar um advogado no Rio e repasso tudo a ele. Também ajudarei na estruturação das coisas em Miami e oriento Esteban.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Porra, mermão. Logo agora que vamos legalizar?&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Assim tu precisa menos de mim e no que faltar, tu me achará pela internet ou pelo telefone. Não vou morrer, meu amigo. Só vou fugir do mundo. Cansei. - finalizou o advogado e dirigiu-se ao seu reservado.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Mindinho sentiu-se só como nunca provara. A cumplicidade de décadas agora o abandonava. A formatação de suas futuras idéias seria feita à distância, sem olho no olho. Aquilo não lhe descia.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Carolina adorou a notícia da separação. Sabia que livre do procurador o marido não a negaria mais nada. Seria ela a fiel escudeira de Mindinho e isso haveria de reorganizar o estado das coisas.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Duda desembarcou, mais Mindinho e Esteban, pr´uma prévia visita à península. Marcara reunião com um grande promotor de lutas e, nesta altura, os mastodontes já estavam completamente preparados. Pra tudo, inclusive.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Num luxuoso restaurante, receberam um negro enorme de cabelos desarrumados e o corpo cheio de adornos dourados - até na boca. Vinha com ele considerável comitiva.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Aí virou história em quadrinhos pro criminoso. Em grego. Apenas olhava - ora para um, ora para outro - enquanto eles negociavam. Lá pelas tantas, Duda o orientou:&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Entre luvas e imagem, cincoenta mil por luta. Quem sobrar, dobra. E assim vai. Mais hospedagem e comida.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Tenta tirar mais.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Já tentei.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Então fecha.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Done!&lt;br&gt;&lt;br&gt;

O advogado bateu o martelo e trocaram contatos pra agendar o primeiro embate.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Na despedida, outra questão:&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Mindinho, Dom quer saber de onde os olhos azuis. - disse Duda, sorridente.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

O bandido gargalhou. Depois respondeu:&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Diz a ele que eu comprei.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- E pagou com chumbo?&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Não. Paguei com uma escrava branca. Anã. Se fossem verdes valia uma completa, mas os verdes estavam em falta.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Riram em abundância e o advogado elucidou dizendo se tratar de correção motivada por acidente. Sabia que gerar a dó, aquela que ele desopilara, era um exímio artifício de negociação. Ou seja, fazia poder do mais involuntário sentimento.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Retornando à embarcação, Duda tratou de arrumar seus pertences. Assim como Kim, que resplandecia de felicidade.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Mindinho e Esteban foram ter com os lutadores. Ele presenteou cada qual com um quimono onde a costureira bordara: ´Breakin’ Round Brazilian Team´. E a cada entrega seguia a mesma recomendação, variando pouco no vocabulário:&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Vai lá e arrebenta. Agora o treinamento é intensivo. Seis horas da manhã, levanta. Espera que recebe toda a letra com as tarefas do dia. Tá chegando a hora da briga à vera. - como se o apronto fosse apenas anedota.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

No final, sobraram dois quimonos. Um pro peruano. Outro Mindinho vestiu, riu e aí ordenou aos fortes que circulassem.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Nas costas, um detalhe diferenciava sua vestimenta das outras. Após a apresentação do time, em letras do mesmo tamanho embora todas maiúsculas, se lia: ´BOSS`.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Aí recorreu ao cozinheiro para que este armasse um churrasco. Seria a despedida de Duda e o patrão haveria de homenageá-lo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4142250843468316890-4899649702517545271?l=novelamindinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/4899649702517545271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/4899649702517545271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/2009/02/reorganizacao-ix.html' title='REORGANIZAÇÃO (IX)'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890.post-5863579070990244870</id><published>2009-01-31T14:36:00.005-02:00</published><updated>2009-01-31T14:43:28.890-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rj'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mindinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio de janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conradrose'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conrad rose'/><title type='text'>REUNIÃO FAMILIAR (VIII)</title><content type='html'>Jantar. Carolina convocou e chegou primeiro.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Encontrou na mesa um champanhe francês no gelo, taças e um arranjo de flores, além de copos, talheres e pratos. Não entendeu. Um serviçal se aproximou com mineral gelada e preencheu seu copo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Aí chegou Dona Nair com Dim. O moleque não gostava muito da forma como a madrasta o observava e isso era um motivo a mais pr´ele se sentir desconfortável. De qualquer maneira, o pai havia o intimado pro jantar e tendo comida no meio o herdeiro suportava qualquer coisa. A sogra chegou já abençoando, como de costume, e tentou investigar:&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- A que devemos a reunião?&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Espera pelo seu filho, senão terei que repetir. - respondeu-lhe a nora, afagando sua mão.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
O silêncio dominou.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Mindinho apareceu pouco mais tarde pois Miami se aproximava e havia muito a tratar com Duda, que veio no embalo, mas logo foi banido.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- O que Eduardo faz aqui? A reunião é familiar. - indagou Carolina, novamente sem entender.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Ô doce. Duda é como irmão pra mim. - argumentou o bandido, servindo mãe e mulher de borbulhante.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Tá certo que ele cuide do patrimônio, mas família é família. E o assunto aqui é de família!&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Pode deixar, Mindinho. Eu ralo peita. - condescendeu o advogado ao constatar ali que perdia terreno na organização.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Foi cheirar algo e beber outro, acompanhado de Filó. Depois, sexo grupal.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Resolvida a preliminar, a professora deu o pontapé inicial e estabeleceu as regras da instituição:&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Seguinte. Primeira questão: Júnior está obeso. Ficará melhor mais magro. Terá menos preguiça e isso será fundamental pra segunda questão.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Quantas tem? - quis saber o marido.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

A esposa lhe cravou os olhos tão raivosos quanto os do peito dele, não respondeu e continuou:&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Segunda questão: ele precisa de etiqueta. Nada muito complicado, apenas pra parar de falar com a boca cheia e mastigar direito antes de engolir. A comida parece que vai direto do garfo pro estômago.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Tá certo. Mais alguma coisa? - Mindinho, já sem paciência.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Terceira: Júnior está sem estudar. Isso também acabou. A partir de amanhã darei aulas a ele.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Aulas de quê? - Dona Nair.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Antes de tudo, alfabetizar, óbvio! Português eu me garanto. Além disso, vou estudar as outras matérias e prepará-lo para que quando rapaz ele possa fazer um supletivo ou algo equivalente. Também precisa aprender a se comunicar em inglês. Vai que se perde.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Se ele se perder eu tenho um problema a menos. Mas tudo bem. Acabou?&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Ela assentiu com a cabeça e Mindinho acenou pr´um subordinado que, de imediato, trouxe o jantar.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

No prato de Dim, exatos trezentos gramas de baixíssimas calorias. Ele olhou aquilo e só não chorou por medo do pai. Amaldiçoou mentalmente Carolina e tentou iniciar a refeição. Sem chance.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

- Preste atenção. Acabei de falar. Antes de começar coloque o guardanapo sobre as pernas. Antes de beber e falar, limpe-se. Coma devagar e feche essa boca. - sentenciou austera ao enteado e agora aluno.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Dona Nair só testemunhou. Não queria se indispor com ela e até dava-lhe razão. Mas daí a acreditar que o neto acataria a ausência de guloseimas sem adoecer havia uma grande distância.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

E não deu outra. Começou pelo estômago que doía, passou pra cabeça e se alastrou pelo corpo todo. Tudo quanto é dor Dim somatizou. E como não havia chá ou antibiótico que resolvesse, Dona Nair foi à capela clamar aos céus uma imunização pro neto. Aproveitou e agradeceu aos orixás pela esposa que o filho encontrou. Pediu por eles todos e suplicou que o Tempo lhe descansasse o corpo na definitiva paz logo assim que Oxalá iluminasse o neto. Sentia a morte rondá-la em vida.
&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4142250843468316890-5863579070990244870?l=novelamindinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/5863579070990244870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/5863579070990244870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/2009/01/reuniao-familiar-viii.html' title='REUNIÃO FAMILIAR (VIII)'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890.post-5659656450683266965</id><published>2009-01-24T11:20:00.004-02:00</published><updated>2009-01-24T11:31:21.704-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rj'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mindinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio de janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conradrose'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conrad rose'/><title type='text'>A PATROA (VII)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mindinho imaginou ter ao seu lado uma súdita, pronta pra servi-lo e sem exigência qualquer. Considerava Carolina como um brinquedo a mais. Porém, de aliança na esquerda, a pacata jovem iniciou sua transformação:&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Mindinho, seu filho precisa de dieta. Ou você quer vê-lo como chacota pro resto da vida? O mundo é muito cruel com gordos, mesmo nos Estados Unidos, onde há a maior concentração deles. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Sem problemas. Emagreça o menor. - respondeu-lhe o marido, completamente entretido num guia turístico da Flórida. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Certo. Vou ter com Dona Nair. Primeiro preciso convencê-la da necessidade disso.
A esposa foi e voltou: &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Mindinho, acho de bom grado você fazer a barba diariamente. Assim protege minha pele das suas investidas. E dá a aparência de um líder, como você é na verdade. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vou pensar.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Certo. Vou deixar o barbeador sobre a pia. Aliás, vou trazê-lo aqui mesmo. Assim você pode fazer já!
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele olhou com desdém e murmurou algo, já considerando Carolina um pouco folgada. Ela não deu trela e retirou-se.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pouco tempo depois, Carolina trouxe o aparelho e veio com outra:
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mindinho, este navio é a nossa casa, não é?
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Por ora, sim.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Então precisamos tratá-lo como tal. Não me sinto em casa aqui. Detesto a decoração desse lugar. As cores destoam, não há plantas vivas e alguns espaços estão muito vagos. Quero investir nisso. Outra coisa: esses bibelôs de porcelana são deploráveis e aquele relógio espelhado é a coisa mais cafona que já vi. Precisamos ir às compras.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Precisamos é muito. Se quer companhia, convide a mamãe. Imagina se eu vou ser otário de perder meu tempo acompanhando uma mulher nas compras. Cês são profissionais nisso e eu não tenho paciência alguma. Eu prefiro ficar à toa ou esperar em algum boteco. Tem como?
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Certo.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mais algo? - perguntou o bandido, doido para se livrar da petulante que se apresentava.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O papagaio.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O que tem o bicho?
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Odeio ele. Fica estrilando no meu ouvido toda vez que me vê. Por mim, amarrava uma pedra na perna e jogava no mar.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Olha só! - espantou-se Mindinho. - Minha adorável mulher demonstrando alguma crueldade. Grande evolução! Assim tu me ganha.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aí Mindinho parou tudo que estava fazendo:
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vem cá, meu doce. Dá logo um chamego no teu preto aqui.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela relutou, mas cedeu. Afinal, embora polida, a esposa sabia que o marido descobrira como e onde tocá-la. Sentou no seu colo e permitiu-se. Atracaram-se e lá pelas tantas Mindinho bradou:
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Morte ao papagaio.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim Carolina ia descobrindo, pouco a pouco, dia após dia, como extrair aquilo que queria do cônjuge.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4142250843468316890-5659656450683266965?l=novelamindinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/5659656450683266965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/5659656450683266965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/2009/01/patroa-vii.html' title='A PATROA (VII)'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890.post-8547624100380660313</id><published>2009-01-18T18:12:00.001-02:00</published><updated>2009-01-18T18:16:06.483-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rj'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mindinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio de janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conradrose'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conrad rose'/><title type='text'>AS NÚPCIAS (VI)</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Carolina imaginou que o matrimônio ficaria apalavrado e só. Mas isso foi seu mais inocente engano.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Poucos dias depois do futebol, um helicóptero aproximou-se e pousou no navio. Dele saíram um pai-de-santo, um juiz de paz - compadre de Duda, uma costureira com muita bagagem, uma rapaziada do samba de Encantado, um extenso tapete vermelho, além de um bom tanto de velas e fogos de artifícios.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No entremeio, Duda reorganizou a segurança, camuflando-a, o que gerou alguns cargos de confiança na embarcação, sob a batuta do advogado, do cibernético e de Pamela.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A cúpula foi vestida à caráter, nos mais variados e extravagantes tecidos. A reles também ganhou roupas e sapatos novos. Todos de branco, exceto os noivos.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Iluminaram com velas e espalharam flores por todas as partes. Estenderam o tapete e no final improvisaram um altar, aberrado pela presença do papagaio. Ali Carolina viraria dos Santos, ou melhor, da Guia.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando Mendelssohn ecoou forte, Dim desvirginou o vermelho no maior constrangimento, num ridículo fraque branco nababesco e carregando uma pequena almofada de cetim com um par de alianças de grande espessura.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A seguir, Dona Nair e o filho. Este, numa versão esticada do traje do moleque, mas totalmente azul, tal qual seus olhos. Depois, o representante jurídico do bandido conduziu a noiva, toda de amarelo discreto e arrastando uma enorme cauda. A professora, apesar da melancolia, fora intimada por Duda a sorrir o tempo todo, contextualizando com o tom de sua vestimenta.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Foi num piscar de olhos:
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim! - Mindinho, efusivo.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim... - Carolina, lânguida.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu vos declaro marido e mulher. - o juiz.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O papagaio repetiu a declaração e o pai-de-santo benzeu. Um beijo demorado selou o acordo e Dim retomou o tapete - agora mais tranqüilo - seguido do casal, com Vivaldi ao fundo. Duda era realmente bom em repertórios.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No longo trajeto, Carolina observou atentamente a vasta bunda do garoto e sua obesidade infinita. Decretou que seus dias de glutão estariam contados. Sua primeira exigência seria lidar pessoalmente da nutrição do infeliz. Dieta à vista!
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nada de valsa. O pagode animou a festa enquanto uma imensa fila de pratos na mão se servia de rabada, externando a predileção gustativa e sexual do mandatário. Carolina degustou apenas dos acompanhamentos, ou seja, arroz e salada. Pouco depois, o cozinheiro tomou ciência e trouxe-lhe um providencial salmão.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Durante a animada comemoração, a professora conflitou-se entre goles de espumante e cogitou se lançar espontaneamente ao mar, mas faltou-lhe coragem.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;E a partir dali, o papagaio não mais a deixou esquecer, repetindo em qualquer aproximação dela:
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu vos declaro marido e mulher.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Bicho hediondo. - murmurava Carolina.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4142250843468316890-8547624100380660313?l=novelamindinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/8547624100380660313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/8547624100380660313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/2009/01/as-npcias-vi.html' title='AS NÚPCIAS (VI)'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890.post-5989676374208054732</id><published>2009-01-10T22:59:00.001-02:00</published><updated>2009-01-10T23:02:04.089-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rj'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mindinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio de janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conradrose'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela literária'/><title type='text'>DE BANDEJA (V)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Diego armando Mindinho, que desta feita abrira mão da camisa dez. Concretizava-se-lhe um sonho de criança e o bandido ter vestido a dez debaixo da nove, autenticava a regressão. Duda tirava coelho de cartola. Pelada sintética com Maradona? Na hora!
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em espanhol esmerado, cavoucara muito mais que isto. Decobrira quem mandava e o grau de influência norte-americana e chinesa em território cubano. Assemelhou no que pôde ao Brasil e sentiu-se em casa. A especialidade do advogado era o submundo corrupto. Podia ir a qualquer lugar desconhecido que – numa súbita investigação – abria as janelas do sistema local, como a catar o bicho da goiaba pra extraí-lo e decidir, então, o que fazer de ambos. Desbravador de negócios escusos.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O bacharel era perspicaz e espirituoso. Esbanjava destreza nos tribunais e apreciava do melhor da vida, no que remunerado com robustez. Apegado à música clássica, ao choro e ao jazz. Mozart, Jacob do Bandolim, Robertinho Silva e Miles Davis. Duda era respeitado até na própria classe funcional, se isto é possível. Macaco velho globalizado na selva capitalista.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O onírico bate-bola:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Pibe arredondava com o maior carinho, mas Mindinho matava a bola de canela pra repassá-la cúbica e distante daquele, ziguezagueando-o. Não que o bandido não soubesse, porém a idolatria o bloqueava. Melhor seria só olhar. Percebendo isto, Diego acalmou-o com um aperto de mão e estreitou-se com um beijo no rosto. Por aí, Mindinho entrou:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ô, meu craque. Eu quero uma de Caniggia.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Beso?
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- No. Pelota. Noventa. Copa da Itália. – e riram.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pelota era uma das poucas palavras que Duda ensinara-lhe. Outras: gracias, hermano, muchacha, buenas, sí e no. A contragosto, pois lhe interessava aprender outra língua. E nesta Carolina intensificara as lições, a princípio pra adaptar-se à nova vida, mas após a mudança de estado civil, pra persuadi-lo a compartilhar moradia na Grande Maçã.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com a benção do hermano, o nove desencantou e marcou três. Três Caniggias. Pena que o jogo durou pouco, já que o argentino entregou-se à falta de oxigenação e ao tremor dos joelhos. Socorreu-se a seguir, absorvendo mais dum litro d'água. E Maradona esgotar-se era como furar a bola nos arredores do Pavãozinho.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contudo aproximava-se o auge do evento: conversar com o ilustre. Não antes de Mindinho, embora a contragosto de Duda, presenteá-lo com uma lomba de calcário colombiano numa bandeja d´ouro, onde se encontrava gravado: ´Gracias, Pibe!´.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, o bandido pôs a mesa.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O churrasco cheirava sem dó dos oprimidos e após o banho, Mindinho prostrou-se a aguardar a massagem relaxante – ou cardíaca – do seu segundo maior ídolo. O primeiro era Zico, sem sombra de dúvidas.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em tempo: Mindinho nem andava quando Pelé pendurou e só ouvira lendárias histórias acerca do impagável Mané. E se havia uma regra para ele, era de ver pra crer.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este detalhe, Dieguito não precisava tomar ciência. Queria somente falar com ele sobre besteiras - como tatuagens.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Inserindo-se no recinto e notando a montanha branca, o abstêmio transformou-se atônito e percorreu anos em centésimos. Fumegou diante do oásis, cerrou e abriu os olhos algumas vezes pra certificar-se e avançou famigerado como o cão do outro e destemido tal seu Che ao braço – estropiando-se farinha adentro, a farejar a cadela no cio.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada feito: dois imensos zagueiros do hermano atracaram e suspenderam o dez. Um terceiro – de jaleco branco – foi chamado e adormeceu o canhoto, que de imediato cessou o bruxismo. Assim, encerrou-se o encontro. Memorável, a única sentença do dez rumo ao seu elo perdido, no instante que antecedeu a captura:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Yo soy el porteño más brasileño del mundo.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi definitivo. Mindinho gravou isto na bandeja, entre aspas, abaixo do obséquio.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquela data, os restantes saborearam da carne e limparam o utensílio dourado.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dona Nair não gostava nada daquilo, fora apenas pra escorar Carolina e lamentava deixar Dim aos cuidados da babá. Este, nem sabia o que era futebol e rumava alienado, analfabeto, obeso e infeliz à insanidade. Crescia apenas na balança e só assimilava maldades. Fez sete neste estágio.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esteban, peruano sagaz e goleiro adversário, cativou Mindinho. Talvez por arremessar-se corajosamente à bola, ou por amaciar nos triunfos do dez da nove. Duda aderiu e contrataram o maluco, como contato comercial nos Estados Unidos – Flórida, especialmente.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O guarda-metas contrabandeava plaquetas eletrônicas pra clonar celulares, onde adquiriu conhecimento pra lidar com alfândegas e passaportes. O bandido hospedou-o no Pavãozinho de Iemanjá e liberou-lhe uma fruta de seu pomar. A escolher.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mindinho filmou o coito e riu à beça. Fazia isto com quase todos a quem provinha de seu cardápio seminu. Produzia vasto material pro roedor cibernético editar e esbaldar-se na mão.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A tara era o menos importante. Interessante a espionagem na extrema intimidade, pois era-lhe ferramenta na administração da engrenagem. Segredos de alcova que, uma vez desvendados, fragilizam os figurantes. Material de escambo onde já fragilizara legislativos, executivos e judiciários.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desancoraram pra cuidar dos negócios na península ianque. Ganhar, lavar e estocar notas de cem dólares.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pela internet, aproveitaram pra lotar duas semanas comerciais.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada beldade foi filmada e fotografada incansavelmente pelo nerd e ganhou seu próprio anúncio virtual, além de celular com conversas gravadas pela diretoria e dinheiro pra roupas e maquiagens. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4142250843468316890-5989676374208054732?l=novelamindinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/5989676374208054732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/5989676374208054732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/2009/01/de-bandeja-v.html' title='DE BANDEJA (V)'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890.post-6068444018558049086</id><published>2009-01-03T10:06:00.005-02:00</published><updated>2009-05-20T14:03:34.428-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conradrose'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conrad rose'/><title type='text'>O DIÁRIO DE CAROLINA (IV)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A professora não bebia, nem fumava. Reservada deveras e um mar de não-me-toques, sabe-se lá como, mas a curitibana incitava Mindinho ao erotismo e sempre o deixava na mão. Ela protegia-se dizendo que sua única função ali era ensinar-lhe a língua inglesa e apenas pra isto estava sendo paga. Outra: não se encontrava aberta a novas propostas. Com esta firmeza, a professora ambicionava mestrar e se estabelecer em Manhattan.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Fazia-se sóbria nas vestes, procurando inibir a tripulação, o que não evitava que todos a imaginassem se despir, afoita e completamente drogada. Ora, isto ela só faria no Central Park.
Fatal: mantinha um diário de bordo às escondidas.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acompanhando Dona Nair nas compras - a fim de auxiliá-la na decodificação de preços e enunciados, Carolina contou-lhe seus planos e a partir desta data, as duas adentraram-se. Amigas e, por fim, confidentes. Trocaram histórias do morro e da literatura.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi bem até Mindinho tomar conhecimento:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Como que é a porra? A chata tá anotando tudo?
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Cartas bem bonitas. Pra dinda dela e prum amigo. – disse-lhe a mãe, afirmando com o crânio. – E ela não é chata, não!
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tá bom, mas eu quero falar com ela.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu vou chamar. Mas não judie dela.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Peraí! Mais tarde eu falo com a donzela. Fica tranqüila que eu não vou machucar.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tá. Deus te abençoe. – Dona Nair encerrou e retirou-se.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Amém. - breve pausa. - Porra. Mulher que não gosta de sexo, só pode ser chata. - resmungou, bradando a seguir: - Duda!
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que logo veio, já passado de escocês:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Fala. - esparramando-se ao sofá, de copo na mão e cigarro na boca.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- A professora tá escrevendo nossa história.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vamos virar livro?
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É sério, merda. Ela não quer ir pros States? Veja só: a vagabunda dá nossa ficha todinha pros gringos e descola um apê maneiro com proteção policial.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mindim, preciso pensar. Temos tempo?
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu vou falar com ela. Daí voltamos a conversar. Manera, manera, manera, manera, Mané. Manera, Mané, manera. - cantarolou como Zeca Pagodinho, apontando o polegar à boca.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Fechei! - acatou o procurador ao aposentar o copo, aprofundando-se no sofá.
Assim organizou-se. Até que lhe veio a palavra: prancha. De nenhuma maneira titubeou:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Só tem um jeito. Apagar a dita.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ou ela casa comigo. - Mindinho a rir.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Zoeira. - o outro, descrente.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É mulher direita, não é? Investindo na harmonia dá um samba-enredo.
Duda paralisou.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vou até a cozinha. - prosseguiu o bandido. - Zóio azul vai jantar a sós com a melindrosa.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mindinho estava pleno. Instantaneamente, decidira se casar e logo haveria de gerar um filho que prestasse – ao menos às contas. Os azuis chegaram a marear. Queria, desta forma, sossegar. Fazer família era-lhe sonho antigo, pra acontecimentos que passam desapercebidos aos de bom berço, como churrascaria aos domingos e feriados no campo. Nunca dividira este a outrem, contudo tinha-o distante, no ínfimo. Somava-se a isto a sua potencializada desconfiança em relação ao sexo oposto. Imaginara, num piscar de olhos, solucionar sua única frustração.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi pesquisá-la ao cozinheiro:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O que a senhorita gosta de comer, chefia?
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não come carne vermelha. - decretou e rememorou. - Adora peixe. Taí: linguado na manteiga com alcaparras. Depois gratina tudo no molho branco. Bom com vinho branco. E se a parada é romance, um sorvete pra insinuar na saída. Fecha com chave de ouro e abre o caminho.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tu bateu a letra, pilantra. Arrendonda essa pra mim, que eu chego e caixa, meu chapa. É casório!
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sacou uma de cem e fincou-a no bolso do cozinheiro. Saindo, percebeu-se e regurgitou:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Casório ou morte.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mindinho retocou-se todo e abusou do perfume. Quando Carolina desceu ao reservado cômodo, ele foi recebê-la na porta, com uma candura sobrenatural:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que cheiro é esse? - questionou ela.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Azzarro. Legítimo! - orgulhou-se o comandante, devidamente trajado.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após puxar-lhe a cadeira, acomodá-la e se sentar, o bandido desvendou a nove na mesa e a doçura diminuiu:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não se assuste. Eu até durmo com ela. - e cobriu a arma com um guardanapo. - O evento tem um motivo.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A licenciada estremeceu e ele continuou, sem grande emoção:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Quero casar contigo. Sei que é mulher correta. E sei também que anda escrevendo.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- São cartas.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tá. Seja lá o que for. Se desgrudar de mim, pode contar tudo que sabe. Se eu não tivesse gostado de tu, já teria te atirado no mar. Pelo simples fato de escrever. Considere casar comigo uma chance.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pronto. A promissora jovem virara mulher de bandido naquela data. Havendo toque de recolher no navio, pro casal consumar o pacto ao luar.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dona Nair quase morreu de alegria com a notícia e recorreu ao sublingual. Dim não discernia muito e manter a barriga cheia, aos olhos exaustos da avó, era tudo que lhe importava.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Duda reconheceu o equívoco na hora, mas nada falou. Considerava imprudente repartir intimidade com gente honesta e viu rompida a trindade. Diagnosticou que era válido afastar-se dos pombos e formatou seu destino.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pra não revirar na cama, solicitou as cubanas e mais Kim, a sua protegida. Filomena, oficialmente; Filó, no morro. A mais torneada – embora a agulhadas e enxertos! - das seis brasileiras. Loura de sol carioca. Marcada, sorridente e relapsa. O advogado a pescara pela inocência e tirou-lha toda.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nu, Duda mentalizou o México e desconectou-se noutra trinca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4142250843468316890-6068444018558049086?l=novelamindinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/6068444018558049086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/6068444018558049086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/2009/01/o-dirio-de-carolina-iv.html' title='O DIÁRIO DE CAROLINA (IV)'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890.post-5811695428456548575</id><published>2008-12-27T09:21:00.010-02:00</published><updated>2009-05-20T14:01:01.777-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conradrose'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conrad rose'/><title type='text'>HAVANA (III)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Elizabeth de Castro e Pamela dos Santos se amavam com rara profundidade. A prima induzira Mindinho a escolher aquela e a trouxera consigo pra uma espécie de lua-de-mel remunerada, selando três anos de harmonioso convívio. Acabado o serviço planejavam residir em qualquer país onde lhes fosse permitido oficializar a união. Tinham-se um amor de beijar no trânsito, preenchendo a espera, incandescido na ternura feminina. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Reluzentes. Liz era morena toda de fundo indígena: leite condensado cozido. Pam, nigérrima, tal qual o bandido sem os anis, ou seja: uma boa carga de achocolatado à lata. Saltavam escotilha afora aos esfregões. Não às ferramentas de limpeza, pois destas jamais tocaram, escravizando-se noutros cabos. Toda a tripulação sabia da relação e ninguém desrespeitava.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Houve a luta inaugural a bordo.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seis musculosos se revezaram, suando o excesso de anfetaminas. Demoliram-se e rasgaram-se naquela tarde, assim como nos poentes que sucederam o evento. Na raiva e na volúpia; na chuva e no sol. Apanhar gerava também abstinência e fraturar um membro seria como colocar outro no estaleiro. Quando recorriam à capela pra pedir força e fortuna, atentavam seus metafísicos ouvidores solicitando-lhes que os livrassem do azar e da fraqueza, pra não ficarem impossibilitados de lutar e, em conseqüência disto, sem sexo. Como este havia se tornado honra ao mérito, era-lhes proibido contato íntimo com as provedoras e o único meio de desfrutá-las era através de atos de bravura. Atassem-lhes os testículos ou ardessem-lhes os olhos, e tornar-se-iam touros espanhóis.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada qual espalhava ódio pra cinco lados, o que incitou alguns entreveros nas horas vagas e produziu brigas sem ônus qualquer fora a honradez. Algo como partida amistosa ou, no mínimo, rachão.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já no placar oficioso: ao vencedor, orgasmos, razão e respeito; ao fraco, chacota, masturbação e trabalhos braçais como castigo. Como eram dois juízes, sem nocaute a igualdade prevalecia e redundava num pouco mais de barbárie. Prorrogação de olhos vendados sob centenas de outros atentos.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo era resolvido no braço, encerrando ali, o assunto e a discórdia. Contudo, na primeira oportunidade, qualquer um deles atearia fogo noutro sem pestanejar. Mas aos azuis de Mindinho seria vacilo. A receita era nutrir-se tal glutão, treinar em absurdo e lutar intrepidamente.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As mulheres acostumaram-se ao ritual desumano, nas gargalhadas intermináveis da dupla de mediadores. No destino, algumas até gostavam da pancadaria. Outras se adaptaram na obrigação de servir-lhes após os duelos: inchados, remendados, doloridos.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mindinho queria pisar em Cuba como quem desce a ladeira até chegar na Barata Ribeiro, mas aí reparou que o idioma local sempre lhe fora tabu. Esquivara-se todas as vezes que apareceram chances de conexão internacional. Com o auxílio ótico de Duda, ele fundamentara não cutucar o Tio Sam. Cruzar fronteira era - até então - fato inédito ao bandido, enquanto o da lei só fizera em pacotes semanais.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Duda, como é que eu vou me virar nessa porra? Sei nada dessa língua. E usted, Duda, vai ter que me ajudar. - disse ressabiado.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Segura tua onda, maluco. Tu tá cheio da grana e tem olho azul. Não vai demorar nem faltar pobre pra se oferecer e até beijar tua mão.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Então, estamos contratando. Outra: não esqueça do Dieguito.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vou providenciar.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tem mais alguém que preste nessa terra?
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O barbudo.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que porra de barbudo?
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Fidel Castro.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Parente da mulher da prima?
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não, o ex-presidente daqui. Há meio século, mais ou menos. Comuna. Tomou a ilha na metranca. Acabou de encolher.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Lembrei... Interessante, cada país com seu barbudo. Mas esse eu passo. Mais algum?
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Uma orla repleta de mulheres gostosas.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Opa, também estamos contratando. Se com essas aí já temos um bom caixa, imagina juntando umas vinte? Tem outra letra! Remaneje aquela molecada dos serviços gerais e da cozinha pra segurança. Dome os tigres e dê arma pra todo mundo. Confiança não tem preço e esses vieram com a gente. Contrate pra cozinha e pra faxina. Mulher também! Quem não souber atirar, taí a hora de aprender. Sabe-se lá o que pode acontecer, esses otários não falam nossa língua.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pode deixar que eu armo a defensiva. Joga solto, meu dez.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Duda, vamos ferver Cuba. Dinheiro não falta.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dali, Mindinho foi rezar. Rogou luz a Oxalá, imunização a Ogum e atrevimento a Iansã. E tudo isso em dobro a Iemanjá. Manteve-se na capela durante um bom tempo - pedindo apenas, nunca lamentando ou implorando. Quem o via, não conseguia entender, mas o bandido precisava daquilo. Antes de sair, agradeceu a Iemanjá por conduzir Veneno pro purgatório, pela calmaria, pela fartura e pelas cenas hilariantes presenciadas no roteiro.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em seguida, explodiu Gerson King Combo em abundantes decibéis, transformando a embarcação numa gigantesca pista de dança. Mindinho requebrou à exaustão no lado A da black music brasileira, aquele funk doutrora. Era feita a sua vontade.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dia seguinte, Duda reuniu a tripulação e largou cem dólares por cabeça discursando:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sem porra-louquice! Sem falar pelos cotovelos. Bebidas e drogas, só aqui! Vacilou, vira bóia. Metade desce amanhã, metade depois. Quem ficar, guarda a casa. Quem for, favor não pisar na bola, só tá indo passear e comprar bugigangas. Nada de lero. Rato que rói corda, morre pendurado pela boca.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dim quis deixar pro segundo dia, dando-se tempo de criar coragem pra implorar à avó que o levasse de volta pro Pavãozinho. Queria - de alguma forma - fugir do fantasma de Veneno. E no Pavãozinho poderia fingir que nada daquilo existiu. Além. Livrar-se-ia das terríveis lentes e manteria distância dos castigos e das atrocidades do pai.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Liz e Pam, as enamoradas, foram juntas e se presentearam: biquínis, adereços, cosméticos e um disco de rumba. Tiraram fotos em cabine - onde se entretiveram um bocado e tanto, comeram num pé sujo – entre carícias, e andaram de táxi se pegando sem discrição. Voltaram ao mar a nenhum, mas na maior satisfação cabível. Só não desertaram na oportunidade porque a ilha não era tolerável aos seus anseios.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mindinho trajou a dez do manto sagrado e ancorou pleno, doente de curiosidade, pra fazer a festa do comércio local.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Comprou camisetas falsificadas, uma boina como Che Guevara, um pôster do Black Eyed Peas, um chaveiro Yo amo Habana; além de várias camisas com motivos havaianos, chinelos, bermudas, bonés, tênis Adidas e uma vastidão de discos de funk e rap. Câmera e filmadora digitais, um Rolex e cordões. Aproveitou pra tatuar no peito um cão de enomes garras e nervosos olhos azuis - o qual vertia sangue ao redor dos caninos numa boca famélica - como a retratar-se.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Duda providenciou conta em banco, celulares e jornais de lá e cá, a saber: Cuba, Estados Unidos e Brasil. Sabia da possibilidade de se refugiar por ali caso os anglo-saxões flagrassem algo. Também ouvira falar de Tijuana e decidira propor o México ao parceiro, pois tinha consigo a certeza da prosperidade financeira nas fronteiras, principalmente a transações esconsas.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Coragem não havia em Dim, que esmoreceu e nem cogitou regressar ao Rio de Janeiro. No intuito de anestesiar-se, comprou doces e brinquedos não-licenciados pela Disney, gastando o seu e o de Dona Nair. Esta quase nem chegou a provar das guloseimas, já que tudo aquilo durou poucas horas na mão do triturante moleque, que ainda babando, chorou quando acabou o estoque, quebrando também alguns Mickeys e Plutos distorcidos pra se acalmar.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na volta, os mandatários da nau trouxeram mais duas mulheres, negras cubanas, pra encorpar o menu – deles, por ora. E abrir-se-ia uma semana cheia pra Duda, findando-lhe as férias. Inclui-se aí, o agendamento da visita ao Pibe D´Oro, outrora louro, roliço e agitado às ventas, hoje técnico de futebol.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4142250843468316890-5811695428456548575?l=novelamindinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/5811695428456548575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/5811695428456548575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/2008/12/havana-iii.html' title='HAVANA (III)'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890.post-3814221748731164189</id><published>2008-12-20T11:35:00.003-02:00</published><updated>2008-12-20T11:39:36.471-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conradrose'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conrad rose'/><title type='text'>PAVÃOZINHO DE IEMANJÁ (II)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Extravagância ao cúmulo levou Mindinho a comprar um navio pra trocar de hemisfério. Ele decidira morar dentro de um lá em cima e, pra custear o luxo, carregou no convés um bom tanto de cocaína.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Hasteou nele a bandeira pirata - onde prevaleciam os olhos azuis da caveira, outra do Flamengo, e presenteou-se com um traje: tapa-olho, bandana, brinco de argola e tudo mais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Embarcou: três prostitutas requintadíssimas pra deleite na transferência, as quais largaria – se não aos jacarés - aos varões da Flórida; um rato de computador; meia-dúzia de lutadores de jiu-jitsu; soldados de morro de sua extrema confiança - armados de fuzis e granadas; um advogado triglota; serviçais; Dona Nair - sua mãe; Diminuidim, ou Nuidim, ou apenas Dim, seu filho de seis - Júnior dos Santos, no cartório; Veneno e sua recompensa; medicina equipada; conhecedores do mar; e uma professora de inglês chamada Carolina - recatada e quase maculada - que ansiava chegar em Nova Iorque.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O navio era um imenso brinquedo e ali não haveria um único momento de preocupação ou sobriedade, mesmo dentre os mais reles subalternos. Uma embarcação bandida e festiva, com capela e agraciada como Pavãozinho de Iemanjá.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que quebrar champanhe porra nenhuma. Mete lá uma espuma de prata e joga dois galos de flores pra Iemanjá. Duvido que pegue mandinga. - profetizou Mindinho.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dona Nair cuidava de todos como filhos. Trabalhara até doer de forma a entregar-se a uma ignorância maniqueísta. Letrara só o suficiente pra assinar o nome e foi lavadeira de Portinari - na voz de Clementina, até Mindinho ingressar no universo do crime. Certo era não passar fome e privilégio era gozar de boa saúde.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O redondo Dim não lhe desgrudava. Por excentricidade do pai, o moleque fora condenado a conviver com lentes de contato a azular-lhe os olhos - tais quais! - mas aberravam-se ao violeta sobre o fundo negro, pedindo segunda demão. Esquisito num todo, o garoto. Uma bolota manhosa.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Depois de criar pêlo, eu rapo um dedo e vira homem. - Mindinho dava a receita.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Zarparam, enfim.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contornaram a fascinante costa brasileira, tripudiantes e perplexos com a paisagem. Maconha o dia inteiro. Pasmaceira.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo tranqüilo até Veneno prevalecer. Aguardido de feder, insinuou-se e investiu numa das namoradas do patrão. Foi na hora. Homem ao mar. De súplica, somente os minutos pro capitão estrear sua fantasia.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A agredida cortou-lhe o dedão do pé e após o Pai-Nosso, Veneno saltou por conta própria no mar pernambucano. Por danos morais, coube a ela a maior parte da bolada do vigilante.
O roliço menino presenciou tudo, imóvel e com a maior vontade que já sentira: retornar à terra firme. Mal dormiu por noites. E relevante era apenas a visão do moleque - que se fez assombração(!), pois aos demais a ofensa virara anedota, no mais amplo tudo bem.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas é inegável que todo mundo nutre um mínimo de pena. Uma fagulha que seja, de reserva. A vida alimenta este sentimento e apresenta cenas diárias que o eternizam. A dó nunca falta. E por mais deprimente que seja determinada situação, há de vir outra desprezível ao cubo.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Veneno instituíra a condolência provinda do remorso no transatlântico e Mindinho atracou-o pra comprar flores e velas, pedindo assim a Iemanjá que encaminhasse a alma do dito.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mundo é a terra da exceção e Eduardo abolira a compaixão de seu vocabulário. Advogado pacas, malandragem trilíngüe e discurso suntuoso. Duda, procurador de Mindinho. Nunca o termo fora tão adequado, pois era o único que sempre sabia onde o bandido se encontrava, mesmo quando este estava dentre as pernas d´alguma.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O bacharel - figura carimbadíssima nas baladas do bandido - chefiava a contabilidade e o jurídico. Mais! Extremamente caprichoso, para uso exterior, providenciou nomes de valiosa herança aos chegados: transformou-se em Abelardo Barbosa Filho e batizou Mindinho de Domingos da Guia Neto.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dim, por sua vez, saiu do Brasil com a alcunha de Júnior da Guia. E Guia era um sobrenome contextual para o monstrengo, que crescia temente a Deus e ao pai; bem como a cães, formigas, gritos, intempéries, altura, escuridão e fantasmas - doravante. Nos raros sonhos agradáveis, vinha um coelho gigante e o conduzia a um planeta de chocolate. A ansiedade entorpecia Dim que - sôfrego e pingando suor - se debatia dormente rumo à geladeira. Empanturrava-se até a mastigação esgotá-lo fisicamente e sem demora iniciava a apinéia.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dona Nair chegou a propor tranca no eletro, mas Mindinho sabia que uma crise de choro no meio da madrugada o instigaria a dar cabo no herdeiro. Dim mantinha-se vivo por conta da avó, que o recebera pra facilitar uma fuga do filho e da amásia - mãe de Júnior, a qual estranhamente não regressou; e indagar com Mindinho era tarefa delicadíssima, mais ainda a este respeito. Só o representante legal e a mãe lhe pesavam, mas não a tal indiscrição. A tríade era regida e censurada pelo voraz criminoso.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A última parada no Brasil foi em São Luís do Maranhão. A matriarca narrou a lenda da serpente que envolve a ilha, a qual crescerá a ponto de abocanhar a cauda, levando tudo pelos ares, como a estrangular a terra. Dona Nair ouvira a história do avô, escravo implantado na região.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ali Mindinho providenciou mais três mulheres, um carregamento de variadas oferendas para a santa e um papagaio. De resto tinha tudo - até eletrocardiograma, internet e aquário de água marinha.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O comandante carcou na gemada e desfrutou de seu mulherio, mais Duda, que - lá pelas tantas - questionou reservadamente:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mindim, o que você vai fazer com essa rapaziada quando a gente chegar lá em cima? Tamo indo pra sombra? Geral vai só pra vigiar?
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Relax, my friend. - confortou o bandido, num inglês Copacabana. - Temos seis putas de qualidade e uma equipe de vale-tudo. Por falar nisso, os bombados tão no bem-bom. Azucrina e enche de exercícios, Duda. O doutor tem efedrina. Em duas semanas eu quero esses porras se quebrando na nossa frente. Quem não der pra coisa(?), prancha! Aliás, formei com essa tal de prancha.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você é brilhante, meu amigo. Será divertidíssimo! Tá fundado o Breakin’ Round Brazilian Team. Olha só, quem vencer escolhe uma mulher. Assim elas se habituam aos brutamontes. Mas disso Dona Nair não precisa saber.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Somos brilhantes, mermão. Recolha as metrancas dos guerreiros. Eu quero ver esses mastodontes estriquinados, se moendo de pau. E providencie a papelada do negócio.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O planejamento todo sem nenhuma troca de olhar. Estavam vidrados no ex-presidente americano via CNN. Mindinho saiu de saco pra mala:
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- George Double Bush. Eu queria ser esse maluco aí. Só que eu queria ser chinês pra dar a letra e passar milhões de Mickeys. Queria ter o poder desse merda e o zóio puxado.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tu tá mais pra Europeu. Holandês. Van Mindim.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que é isso, pilantra? Sou é negão. O zóio é luxo.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Riram feito chocalhos e ordenaram chamar as meninas: Grace Kelly de Oliveira, Scarlet Faria do Nascimento, Elizabeth de Castro, Kim Fagundes da Silva, Demi de Araújo e Pamela dos Santos - menor, prima e preferida do parente. Um elenco de passaportes novinhos em folha, que perambulava pela embarcação sem ocultar quase nada do caráter e do pudor.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mindinho as zelava como a irmãs, se as tivesse. E quando constatou isso, agradeceu aos céus por não as ter, pra não imaginá-las na perdição, o que o obrigaria a matar por um motivo a mais.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Toda manhã, o almirante prostrava-se sobre um enorme mapa-múndi, onde mexia algumas peças e rabiscava sinais chulos ou cifrões com caneta piloto. Revirou seu mundo com códigos durante a viagem e revelou um gene mouro aguçadíssimo.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Numa destas alvoradas, definiu Havana a fim de angariar cubanas exuberantes pra prová-las e dar-lhes um desrespeitoso empurrão capitalista. Mais: soube que Maradona estava na ilha. Aproveitaria a estada pra bater um papo com ele, pedir-lhe um autógrafo e dar de comer a algumas famílias, no máximo que Dona Nair o aproximara da clemência com que Deus a impregnara.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Discernir nunca fora o forte da calejada mulher. Além do mais, encontrava-se em alto-mar e bastava-lhe confortar o perturbado neto e admirar a passagem do tempo - vagarosa e ininterrupta, na exímia cadência da velhice.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foram todos a Cuba, diretamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4142250843468316890-3814221748731164189?l=novelamindinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/3814221748731164189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/3814221748731164189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/2008/12/pavozinho-de-iemanj-ii.html' title='PAVÃOZINHO DE IEMANJÁ (II)'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4142250843468316890.post-102658386035103684</id><published>2008-12-13T14:04:00.012-02:00</published><updated>2008-12-17T20:36:43.857-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conradrose'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conrad rose'/><title type='text'>O VIGILANTE ESPONTÂNEO (I)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Surgiu de hora pra outra: colete à prova de balas; coturnos; luvas de couro; capacete nazi; corte militar; negros Ray-Ban; mil cilindradas sobre duas rodas; nariz avantajado; asteróides anabolizantes; quase dois metros de altura; ariano e muito prestativo. Odiava ladrão. Exalava efedrina. Artes marciais e uma nove milímetros.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Conduzia as senhoras das compras pra casa, acompanhava as saídas das aulas e das missas. Fazia-se sombra ao pé do morro. Logo alardeou a bandidagem, que primeiro sondou com uma morena – das melhores! – e nada. Depois, Mindinho tomou ciência e deu o recado: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Colé desse maluco metido a cinema? Tem que acabar com isso senão, mais uns dias, o herói vira notícia na Globo. Daí comé que fica nossa lata? Cadê o maldito do respeito? – pausou para mirar, um a um, seus subalternos. – Olha só... Tô sabendo que o alemão tem zóio azul. E eu tô querendo um par de zóio azul. - nova pausa, esta com suspiro, porém. - Bom, é o seguinte: quem me passar o branquelo leva cincoenta milhas. Também tô sabendo que o otário não é da polícia e carrega uma nove limpa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Agito geral.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sossega, porra! – silenciou tudo Mindinho. - Tem uma coisa. Não pode acertar a cabeça! E outra. Tem que avisar imediatamente pr´eu mandar a medicina. Quem acertar a cachola do fulano, sai vazado. Se rebentar com o zóio, eu capo. Quero o safado quente, que eu tô a fim de zóio azul.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O estabelecido Mindinho era assim chamado pela ausência de um deles. Mão esquerda. Castigo paterno que ele transformou em regra. Amputou dezenas - quiçá centenas - de dedos que vacilaram em determinadas funções. Aos que se atreveram a obstruir-lhe o caminho e ele teve tempo pra divertir-se matando, suspendeu pelas axilas e cortou logo os dez do pé, deixando o infeliz escorrer e esbranquiçar.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Como não havia outro modo, Mindinho abriu a temporada de caça à raposa.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Na investigação, a malandragem tombou quatro; na retaliação, mais dois e um caiu com a polícia, que não se atreveu a escoltar ou deter o vigilante. Aquilo era acerto de bandido com justiceiro, pra precária ótica da tropa estadual, e deveria ser lavado entre eles.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ao vigilante, restava a euforia de acomodar sua larga dose de efedrina desafiando a morte por todos os ângulos imagináveis. Todos mesmo. E cada qual tinha mil ângulos pra chegar à bandeirada das cincoenta milhas.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tiro não faltou. Copacabana vivia entrincheirada com a senil e sagaz investida do ilustre.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os homens de Mindinho desconfiavam-se. E ainda havia o risco da cabeça. A história da recompensa vazou e bandidos de todas as partes do Rio - até mesmo desafetos de Mindinho, passaram a freqüentar as cercanias em busca do tesouro. Com a Zona Sul paralisada, o vigilante se entocou e os criminosos só puderam espreitar durante a semana. Até Mindinho se emputecer:
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Aqui só tem donzela. O cara zoa nosso quintal, sai saindo e ninguém dá letra alguma? Nem boato? Tem bandido aqui, ou só piada? - baixou os olhos enquanto retirava sua navalha do cinto. - Aí, vou dizer! Cada dia a mais na vida dessa porra no meu terreiro e eu vou escolher um pra rapar o dedo. Demora, hein...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O elemento virou bomba-relógio. Logo de manhã, na primeira aparição, um bandido deu cabo numa anciã que se fazia valer dos favores do segurança. Meio-dia o incerto atirador escorria estocado no morro por espetos de taquara. A exposição era inevitável pra acalentar a família da vítima. No mais, um enterro barato e digno, uma coroa de flores, uma cesta básica e algumas notas graúdas de moeda circulante. Assim, costumeiramente, Mindinho evitava o além da notícia e quase tudo voltava ao normal.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;De noite, acertaram o bombado na perna que conseguiu fugir na moto – pingando sangue, após deitar mais um dos aspirantes à bolada.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mindinho até perdoou, mas antes – por chacota - ameaçou cortar um do pé, pois ao desastrado Veneno só restavam dois dedos em cada mão – o suficiente pra, com habilidade, atirar e satisfazer uma mulher.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mindinho tomou pra si:
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- A parada é a seguinte. A molecada rapa fora, reunião de macaco véio. – ficando somente seus gerentes e outros do conceito, num total de sete.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Prosseguiu:
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;– Tem que ver onde o alemão tá mocado, tem que rodar hospital. Já! Quem souber, avisa pra ontem que eu dou a honra de matar o safado e fica com a merenda. Só que sem heroísmo. Liga que eu dou a letra. Quero o sujeito vivinho. Compreendido? – balanceios afirmativos de pescoço. – Agora vão saindo que o papai aqui vai arrumar a mala e bater a idéia pra medicina. Vai ter bandido de zóio azul. – e gargalhou por minutos.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Em poucas horas acharam o intrépido. Uma seringa ninou o gigante. Ao despertar, o vigilante estava em outro leito e com um cano na boca, embora não respirasse com auxílio de aparelhos, nem fizesse uso de sonda ou outro canudo esterilizado. O gosto era insuportável – muito pior que zinabre. Mas o que fazer quando se está seguramente amarrado, além de algemado e recebendo tudo quanto é líquido na veia?
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mais horrendo pro caucasiano, foi perceber a mutilada mão de Veneno a manter-lhe o cano na goela. Acabou por destemer qualquer juízo final ou inferno. Não haveria nada pior que aquilo. Morrer era lucro.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mindinho aproximou-se e decretou:
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Pois bem, ratazana. Vou contar uma história pra tu. Eu e minha nove conquistamos tudo por aqui, e foi realmente uma puta matança. Posso não ser do bem, mas nunca deixei faltar remédio ou comida em barraco nenhum daqui, pelo menos daqueles que não deram uma de otário feito tu. - breve silêncio e um certo olhar paternal, até. - Que chega com esse discurso de vereador, botando banca, tirando onda, sem saber o que acontece por aqui. Tu vigia a porra da entrada mas não sabe que lá em cima tem pobre parindo, outro gemendo de dor, ou ainda um avô velho tremendo por conta da bebida. Ainda bem que se foi o tempo que criança chorava de fome por aqui. E isso no Pavãozinho foi coisa minha. Nem de governo, nem de polícia e muito menos de almofadinha feito tu. - retornando da viagem no tempo e perdendo toda e qualquer ternura. - Ô vacilão, tu sonhava que ia colar? Tu é muito do burro. Se queria levar tiro de bandido, por que tu não entrou pra polícia? - pausa que incita a filosofia. - Veja só, vou ensinar pra você uma coisa que eu aprendi. Anota aí na cachola. O morro é mais limpo lá em cima, porque a merda toda escorre pro asfalto. É no pé que o morro não presta!
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tudo com os olhos cravados nos desejados azuis do vigilante:
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Quem mandou tu te meter no nosso negócio? Culpa toda tua, mané. - até finalizar. - Sendo assim, Mindinho comunica que tu vai morrer, mas antes tu vai me emprestar os zóio. Cansei dessa porra de vida de bandido. Vou meter zóio azul e morar no Caribe, ouvindo hip-hop, cheio de cordão. Meia-dúzia de mulher e carro conversível. Eu e teu zóio vamos virar bacana, valente. Fica leso que nem vai doer. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4142250843468316890-102658386035103684?l=novelamindinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/102658386035103684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4142250843468316890/posts/default/102658386035103684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novelamindinho.blogspot.com/2008/12/o-vigilante-espontneo-i.html' title='O VIGILANTE ESPONTÂNEO (I)'/><author><name>Conrad Rose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08017970679381440004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_U5iFPOf_pAM/TKR4P0B19QI/AAAAAAAAATY/BGtVg6p7hsI/S220/S3020300.JPG'/></author></entry></feed>
